terça-feira, 10 de novembro de 2009

Flor da Liberdade

Flor da Liberdade



Sombra dos mortos, maldição dos vivos.

Também nós... Também nós... E o sol recua.

Apenas o teu rosto continua

A sorrir como dantes,

Liberdade!

Liberdade do homem sobre a terra,

Ou debaixo da terra.

Liberdade!

O não inconformado que se diz

A Deus, à tirania, à eternidade.



Sepultos, insepultos,

Vivos amortalhados,

Passados e presentes cidadãos:

Temos nas nossas mãos

O terrível poder de recusar!

E é essa flor que nunca desespera

No jardim da perpétua primavera.

Miguel Torga

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